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56 carros abandonados deixam as ruas

56 carros abandonados deixam as ruas

Foi o saldo de um ano da lei municipal que prevê a recolha e multa para os veículos em estado de abandono; destes, 47 foram retirados pelos proprietários

Um ano após implantar a lei municipal que prevê a recolha e multa para os carros abandonados, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) protocolou 147 processos e apreendeu nove veículos abandonados nas vias públicas. Outros 47 foram retirados voluntariamente pelos proprietários, até o dia 30 de outubro.

O Decreto 12.258, que dispõe sobre veículos abandonados na via pública, foi publicado no Diário Oficial do Município no dia 1 de outubro de 2013. Já o primeiro veículo foi retirado das ruas no dia 8 de novembro do ano passado. Quando teve início a “temporada de caça”, o  número de automóveis abandonados por toda a cidade chegava aos 280, segundo dados fornecidos pela própria Emdurb.

Sem motor, faróis, parabrisas, placas, rodas. É neste estado que se encontram boa parte dos automotores deixados nas ruas. E várias são as causas do abandono.  “Mas a principal é a falta de dinheiro para consertar o carro. Há, também, oficinas que retiram o motor para reparos e não têm espaço para colocar a lataria que, muitas vezes, é deixada na via pública. Esse tipo de atitude também está sendo notificada”, lembra o gerente técnico de infrações da Emdurb, Gustavo Cardoso.

Qualquer pessoa pode solicitar a retirada dos veículos. A Polícia Militar (PM) também indica os locais onde eles estão. As denúncias chegam à Emdurb, os agentes vão até o local, fotografam os veículos e encaminham ao setor de multas. A partir daí, uma notificação é enviada ao proprietário por carta com aviso de recebimento (AR) e é publicada no Diário Oficial e na imprensa.

Se não houver manifestação do dono, defesa ou retirada do veículo no prazo de 72 horas, a PM é chamada para fazer a remoção em conjunto com a Emdurb. Os veículos são recolhidos ao Pátio de Bauru.

“Mas cabe ressaltar que a Emdurb prioriza o coletivo. Nós recebemos pedidos de processos diariamente e são feitas cinco ou seis notificações por semana, porém, para passar na frente da lista de espera, todo processo é analisado. Levamos em consideração o transtorno coletivo que um veículo abandonado está causando. Por exemplo, se ele está parado em um cruzamento ou em uma esquina, atrapalhando o trânsito, será notificado primeiro”, lembra Cardoso.

Multa

A multa para estes casos gira em torno de R$ 1 mil. Quando é feita a recolha, um ofício é encaminhado ao delegado de trânsito com o pedido de um bloqueio judicial com base no decreto e na Lei Municipal de Veículo Abandonado.

Já a remoção voluntária dentro do prazo estabelecido isenta a penalidade financeira, mas o proprietário deve informar à Emdurb o local para onde o veículo será removido, que precisa ser uma propriedade privada, sem risco à saúde ou à segurança pública.

No caso de apreensão, para retirar o bem, o cidadão deve pagar a multa administrativa municipal para desbloqueá-lo. Para voltar às ruas, o carro passará por uma vistoria feita pela Ciretran. Em casos de carros sem identificação (sem placas ou chassi), um comunicado é publicado no Diário Oficial e no jornal, alertando o responsável pela sucata. Sem manifestações, a carcaça é recolhida.

  • Serviço

Denúncias sobre carros abandonados nas ruas podem ser feitas pelo e-mail emdurb@emdurb.com.br ou na própria Emdurb, que está localizada no Terminal Rodoviário de Bauru. Mais informações pelo telefone (14) 3233-9000.
Para população, retirada de carcaças traz alívio

Além de servir de abrigo para animais peçonhentos e até de criadouro do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, os veículos abandonados são usados como esconderijo para o consumo e venda de drogas.

Quem está aliviado pela retirada, há algumas semanas, de uma carcaça de caminhão depositada há anos na rua de sua casa, é o aposentado Dirceu Francisco Nascimento, morador da quadra 4 da rua Horácio Gonçalves, na Vila São Paulo. Segundo ele, a sucata servia de abrigo para usuários de entorpecentes e até para assaltantes.

“Tudo de ruim que se pode imaginar parava naquele caminhão. Atrapalhava em tudo. Para se ter ideia, um ladrão se escondeu nele e ficou na espreita para roubar a minha casa. A vizinhança adorou a retirada daquele caminhão. Isso precisa ser feito em outras localidades”, finaliza.

Com um carro para cada 4 habitantes, ruas têm cada vez menos espaço

Com um carro para cada 4 habitantes, ruas têm cada vez menos espaço

Se você já tem a impressão de que há mais carros do que pessoas nas ruas brasileiras, prepare-se para o futuro. A tendência é que muito mais latas sobre rodas passem a compor o cenário urbano e criem episódios ainda mais graves do que o registrado na cidade de São Paulo no último 23 de maio. Naquela sexta-feira, às 19h, a metrópole brasileira teve o maior engarrafamento de sua história, com uma fila de 344km de veículos parados.

Para se ter uma ideia da tendência de inchaço no tráfego nacional, o Brasil fechou 2012 com cerca de 76 milhões de veículos, mais do dobro do número registrado 11 anos antes, quando havia 34,9 milhões de carros nas ruas. Hoje, há um veículo para cada quatro brasileiros. E a forma como as cidades brasileiras têm articulado seus sistemas de transporte não consegue acompanhar esse crescimento. Especialistas observam que o problema de mobilidade urbana é acompanhado de danos ambientais, econômicos e sociais, refletindo também em aspectos comportamentais dos brasileiros.

Não há dados sobre a qualidade do ar em todos os estados, mas uma pesquisa divulgada em 2012 pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade estima que 4,6 mil pessoas morreram no estado de São Paulo no ano anterior devido ao fluxo de veículos. Não vítimas de batidas ou atropelamentos, mas de problemas causados pela poluição veicular, que tira, em média, quase dois anos de vida dos paulistas.

É verdade que os carros têm se tornado menos danosos ao meio ambiente, e a emissão de monóxido de carbono diminuiu 52,1% entre 2002 e 2012, como demonstra o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas 2013. Porém, muitos automóveis nas ruas ainda significa poluição. “O carro novo polui menos, mas continua poluindo. O excesso é um problema”, aponta Luiz Maranhão, subsecretário de Saúde Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal (Semarh). “O Distrito Federal ainda tem sorte em relação a lugares como São Paulo e Belo Horizonte. Diferentemente de lá, não somos cercados por indústrias, que prejudicam mais ainda a qualidade do ar”, completa.

Fonte: Diário de Pernambuco

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